580111_268652649909551_434823248_n‘Eu sou da época em que se comemorava o 13 de maio’, ouvi de uma professora de Antropologia da PUC – Rio esta semana. Achei isso triste e interessante. Nunca tive isso no colégio. Hoje em dia, se comemora mais o Dia da Consciência em todo 20 de novembro do que a data em que a escravidão negra supostamente terminou. Afinal, essa liberdade é, e deve ser muito questionada até hoje. Mesmo assim, é raro ver quem fale sobre isso fora do mundo acadêmico. Brasileiro nunca soube lidar muito bem com traumas do passado. O racismo é um e o assunto é muito feio.
Sim, racismo é feio, mas parece que, por aqui, apontá-lo é mais feio ainda. Se você cisma de falar sobre isso, corre o risco de te pedirem para bater na boca e tudo. No Brasil, é um assunto tão incômodo que nem deve ser mencionado, finge-se que não existiu da forma que existiu ou pedem para “deixar para lá”. Essa última é a preferível.
Há uns quatro meses, eu estava com minha namorada em um restaurante de temática colonial em Botafogo e, mais uma vez, pude constatar isso. O lugar, muito bom, é um dos únicos pela Zona Sul que não chegou ainda a preços surrealmente absurdos, mas já havíamos sido alertados por uma amiga dela sobre a decoração tida como “duvidosa” do local.A VERDADEIRA HISTÓRIA DA ABOLIÇÃO
Mesmo tendo ido ao restaurante algumas vezes, nunca havíamos nos deparado com nada de mau gosto por lá (se todo estabelecimento de temática colonial fosse abordado assim, teriam que fechar inúmeros lugares). Porém, nessa última vez, notamos que um quadro ilustrava explicitamente um leilão de escravos, com um homem branco de postura senhoril segurando um péssimo “menu” com o preço dos negros melancólicos e acorrentados aos seus pés.
O restaurante, devidamente informado via Serviço de Atendimento ao Consumidor sobre o péssimo gosto do quadro e o nosso incômodo por aquela atrocidade estar sendo usada como decoração, nem ao menos enviou um pedido de desculpas ou deu qualquer outra forma de retratação. Assim, o quadro permanece lá para quem quiser ver e naturalizar o holocausto negro que foi oficialmente extinto há 125 anos.
O racismo no Brasil é exatamente isso: um quadro na parede de nossa história que, apesar de tão feio, faz parte do cenário há tanto tempo que não querem sequer tocar nele. Assim, falar sobre ele e pedir pela sua retirada é muito problemático, já que todos se acostumaram com ele ali compondo o ambiente.
Afinal, quem ele incomoda?

Fonte: Jornal O Dia de 16/05/2013, colunista Gilberto Porcidonio, jornalista e mantém o site otitere.com.br

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Gravação caseira. Divulgando essa rima que será gravado em outro beat. O que acharam?

Eleição e a omissão da justiça. 

É pixain, é bom. Natural, fenomenal, sem igual. É o meu cabelo crespo que quando cresce, se amontoa nasce uma coroa vira Black, Black Power, 4P. Sem desmerecer o seu liso, até que é bunitinho, engraçadinho bem sedoso, mas não chega ao ponto de ser maravilhoso igual ao meu Black Power, ao meu pixain. Orgulho? De monte tenho sim, por mais que os plin, plin tentem transformá-lo em objeto comercializável, a sua história remonta a pré-história da África. Portanto está nos livros, nos contos, na cultura nunca um cabelo foi tão exaltado como o meu, dos meus irmãos pixain, natural, fenomenal, sem igual e 4P.

AME SEU CRESPO ÁFRICA NATUREZA FAZ REVERÊNCIA

Preto seja louvado, sinto-me agraciado pela natureza que me presenteou com rara tamanha beleza, e ao meu Deus todo poderoso que fez nascer em África o início de tudo, o mundo. Em África as mulheres pretas as mais belas, belas não, verdadeiras Deusas, Deusas de Ébano, indiscreto sou elogios as pretas sempre faço não meço palavras, nem letras, nem parágrafos são rainhas, autênticas Candaces. A humanidade em África surgiu e pelo mundo se multiplicou, transformaram-se de onde derivaram-se.

E o crespo, como é rei, é rainha mesmo longe de seu habitat, onde habitou adequou-se para melhor viver e sobreviver. Volumoso, charmoso, sexy, belo mais belo mesmo não é “o belo” sinônimo de feio não, é BELO como sempre há de ser. Gerações e mais gerações hão de exaltá-lo, pois muitos sempre criticarão e perguntarão “porque você não alisa esse cabelo?”, os incomodados há os incomodados que nunca hão de entender o esplendor de tamanha beleza e representatividade cultural e identidade. E meu crespo pixain, natural, fenomenal, sem igual, Black Power, 4P está aí mesmo para incomodar, pois tudo que incomoda é lindo, maravilhoso. Portanto, dêem licença para o meu rei Crespo, curvem-se diante de tamanha beleza e realeza. Curvem-se para o crespo, pixain, natural, fenomenal, sem igual, Black Power, 4P.

 

Texto:

Rapper Marcelo Silles

NÓS POR NÓS NOVO 2Um prévia dos beat´s dos novos lançamentos do Rapper Marcelo Silles, os singles NINA SILVA, QUEM VAI PRA NOITE, DUVIDA? e É DESSE JEITO. Aguardem….

Rapper Marcelo Silles

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sillesBoa tarde cidadão de cor pode me dá uma informação? Essa pergunta foi me dirigida no domingo 12 de maio de 2013 na Praça Governador Portela em Bom Jesus do Itabapoana-RJ, por um senhor aparentemente de avançada idade e com um perfil cultural bem coloquial ruralista para o nosso tempo. Inocentemente talvez ingênuo não soube formular sua pergunta em busca de uma informação de forma correta.  Educadamente o informei, não o questionei sobre a sua conduta mediante a mim, já que o senhor havia sido educado e notadamente reparei a sua postura tanto corporal quanto em seus gestos, simples e de modo humilde destituído de certo saber acadêmico que a sua face mostrava o quão à vida lhe havia sido dura.
O que sempre me chama a atenção é simplesmente a dificuldade tamanha de pessoas se dirigirem aos negros e os chamá-los de negros. Ou simplesmente não diga nada, simplesmente diga senhor, senhora esse lance de cidadão de cor chega uma hora que é um saco.  Bom somos a nação que aboliu a escravidão tardiamente, brasileiro sempre é o último em tudo veja a industrialização, a abolição aconteceu à apenas 125 anos então os pretos escravizados foram libertos há apenas uns anos atrás, portanto resquícios da escravidão ainda são recentes. Bem sabemos que na verdade o final exato da escravização se deu por volta de 1930, segundo alguns historiadores.
Muitos negros pode se afirmar a maioria, sucumbiram a subserviência e aos modos de vida branco, foi o germinar para um ambiente fértil para a implantação do projeto de miscigenação e destruição da raça negra. Certo nada de novo. Bom o que sempre é novo é essa classificação de “cidadão de cor”, sendo que cor tem a sua denominação preta, amarela, azul, vermelha etc. fica muito vaga e ambígua essa classificação a indivíduos negros de cidadão de “cor”.
Analiso da seguinte forma, muitos negros não atingiram o seu ápice do devir negro, ou seja, negaram e continuam negando as suas origens, suas historicidades. Só vem ao caso por conivência, resumindo para aparecer, o famoso negro é lindo! Ah como eu me sinto como Olinto, um afro-brasileiro com total alma Africana um vício africano que pulsa em mim os ancestrais, a pretitude, a negritude
“Zora e eu estávamos fisgados, e não o sabíamos…
Estávamos arpoados, presos, marcados para o
resto da vida. Corria o nosso sangue o vício da
África de que ninguém se livra mais.”
OLINTO, Antonio. In: Brasileiros na África. São Paulo: Ed. GRD/ Inst. Nac. do Livro, 1980, pg. 229.
Esse rompimento de muitos negros com a diáspora africana, exercido através de fatores ligados a colonização que forçaram a negação da história africana como também o clareamento, distorce completamente a realidade cotidiana dos pretos pobres brasileiros, pois a cultura africana na diáspora é absorvida e reinventada de forma que possa a ser comercializada com conteúdos padronizados onde muita das vezes seus reinventores são brancos que se dizem doutores na cultura africana.
Ontem, data de 13 de maio de 2013, assisti uma cena, uma aberração transcorrida na novela das 19h da rede esgoto de televisão que se chama Sangue Bom. Uma atriz que tem filhos adotados, como assisti por acidente, portanto não assisto novelas e por isso não sei a quantidade de filhos adotados, apresentou o seu filho branco-africano adotado. Até aí normal o garoto podia ser da África de Sul e de origem inglesa. Mas pelo que pude notar o garoto foi apresentado como sendo negro, e coincidentemente estava com uma blusa escrita 100% negro. Bom nada contra é uma simples camiseta. Mas se fosse ao contrário se eu saísse na rua com uma blusa escrita 100% branco, será que a reação de aceitação seria a mesma?NÓS POR NÓS NOVO 2
Estou tentando dizer é que, se um branco pega algo dos pretos como sendo seu tanto o branco quanto o negro acham normal. Mas quando é ao contrário, até mesmo o negro critica a atitude do negro que está usando uma camisa escrita 100% branco. Inversão e destruição de valores é o que permiti chamar um negro de cidadão de “cor” porque simplesmente um branco está usando uma blusa 100% negro de cor negra. Mas o branco não é cor, portanto o negro não pode usar uma blusa 100% branco.
Mas acaba-se percebendo que o dizer 100% negro é muito mais bonito soa muito mais lindo do que 100% branco. É como deixar um afrobeijo o toque é mais doce do que whitekiss que uma garota branca enviou para mim uma vez. Confesso que estranhei e achei bem esquisito. Tudo relacionado a nossa Mãe África suas músicas, culturas, histórias é mágico e lindo. Um dia irmãos e irmãs acordarão dessa hipnose clara eurocêntrica e enxergarão, aceitarão suas origens e histórias. Não vivo em África, mas a África vive em mim.
Rapper Marcelo Silles

SEMPRE FORTALECENDO EM BREVE NOVOS SINGLES.

Eleição e a omissão da justiça.

Caim matou Abel, Abel matou Caim e assim vai caminhando a infâmia cidadania. O nosso TAC – Termo de Ajustamento de Caráter – das Ruas é muito mais eficaz do que o TAC dos conservadores, liberais, elitizados, burgueses etc. Sabemos quem é quem, quem é aliado e quem se vende. Como sempre digo satiricamente e maquiavelicamente não confie em amigos demasiadamente poderosos.

A medida que o poder aumenta a humildade diminui. A medida que se adquire um carro, uma moto, uma casa o mau-caráter vai se revelando e a humildade vai diminuindo. Agora sou um homem da sociedade dita do “bem”, homem de “família” busco meu respeito, não posso andar mais contigo. Comporta-se de tal forma parecer-se que todos os seus pecados originais e carnais foram todos perdoados. Ou seja, beatificou-se e santificou-se a si mesmo. Datavenia meu ex- grande brother e amigo.

Foi na Rua através do É Nós Por Nós que conheci e vivi sabores e dissabores e ainda continuo experimentado. E foi através da Rua e do É Nós Por Nós com os nossos sofrimentos, ansiedades, alegrias, tristezas, felicidades que somente Nós com nossas lutas diárias, matando um leão por dia, com os meus, com os nossos inserindo no cenário de luta societária que podemos transformar a sociedade justa para Nós. É Nós Por Nós Maquiavelicamente falando “porque o tempo leva por diante todas as coisas, e pode mudar o bem em mal e transformar o mal em bem”.NÓS POR NÓS NOVO 2

Na Rua o inimigo demasiadamente poderoso pode ser um ser inofensivo, enquanto o amigo demasiadamente poderoso pode se tornar um ser nocivo. De forma clara e objetiva, um irmão (ã) conhece as fraquezas e riquezas um (a) do (a) outro (a), e conseguinte o (a) outro (a) fica em significativa vulnerabilidade. O inimigo demasiadamente poderoso pensará duas, três ou milhares de vezes antes de tentar dominar um território, canalizará todas as suas forças na astúcia, malandreado, mas como o outro sabe que se trata de um inimigo demasiadamente poderoso ficará de olho em todas as suas movimentações. Permitindo-se assim a entrada do inimigo demasiadamente poderoso no território da irmandade, o amigo demasiadamente poderoso se sentirá ofendido. Está maculada a nocividade, Maquiavelicamente falando “pois os homens ofendem ou por medo ou por ódio”.

Portanto, devemos colher frutos e ensinamentos do inimigo demasiadamente poderoso, devemos sugar ao máximo tudo o que pudermos de seu ser para que seja utilizado de forma a nosso favor. Sejamos excelentes anfitriões, estude-o a fim de que ele se revele para nós. Mas também, não deixemos nosso amigo demasiadamente poderoso afogar-se na traição inflamando-se de ofensas a qual ele mesmo as plantou achando que as recebeu em seus momentos de delírio. Por final, assim sendo É Nós Por Nós Maquiavelicamente falando “as injúrias devem ser feitas todas de uma vez, a fim de que, tomando-lhes menos o gosto, ofendam menos. E os benefícios devem ser realizados pouco a pouco, para que sejam mais bem saboreados”.

Então, seja bem-vindo inimigo demasiadamente poderoso.

 

Por Rapper Marcelo Silles

 

Referência bibliografia:

O Príncipe de Nicolau Maquiavel.

ENTREPARTES – TCC

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1. A SEGREGAÇÃO SOCIAL/RACIAL E A CULTURA COMO \MECANISMO DE ENFRENTAMENTO.

1.1 A SEGREGAÇÃO RACIAL NO BRASIL

O bairro Santa Teresinha, popularmente conhecido como Volta da Areia, é um bairro do município de Bom Jesus do Itabapoana, município este situado na região noroeste-fluminense do estado do Rio de Janeiro. É um bairro periférico da cidade, que fica a 2 KM de distância do centro da cidade, dotado de uma infraestrutura como posto de saúde, um mini-mercado, duas mercearias, uma igreja católica, duas igrejas evangélicas, uma escola municipal e uma creche municipal. Apesar desse aparato estrutural, apresenta dificuldades com relação à manutenção dos aparelhos públicos (o posto de saúde, creche e escola). Faltam recursos principalmente na área da saúde.

Tal bairro, num primeiro olhar, aparenta se constituir de uma comunidade mista onde convivem negros, brancos e os ainda, ditos no popular, morenos e mulatos. Mas adentrando a comunidade, percebe-se uma clara separação espacial e racial.

Na parte mais baixa, no pé do morro, onde foram construídas na década de 1970 as casas populares pela COHAB[1], a maioria dos moradores são brancos e de pele mais clara. Na parte alta, onde as construções irregulares e demais aglomerações foram erguidas fora da faixa de zoneamento e na parte baixa, mais ao lado leste[2], a maioria dos moradores são negros e de pele mais escura.

Os moradores são marginalizados e discriminados por morarem no local, pelo tocante das questões de criminalização que permeiam a comunidade. A maioria das mulheres, mesmo com alguma formação, são domésticas, faxineiras, estão inseridas no mercado informal de trabalho. O mesmo ocorre com os homens, que em sua maioria é pedreiro e servente.

A aceleração do fenômeno do branqueamento e clareamento nas periferias e favelas não descaracteriza a condição do negro enquanto maioria nesses espaços segregados. Dada à condição de marginalizados e segregados socialmente, referência essa herdada pelos séculos de escravização a qual foram submetidos, os negros ainda perpetuam nos patamares mais baixos da classe societária. Portanto, uma falsa convivência harmônica não diminui e nem desvaloriza a condição de segregação fenotípica, no entanto só retroalimenta uma pré-condição já existente e não anula a luta pela igualdade, mas cabe o teor valorativo da diferença. Sendo assim,

A luta contra todas essas formas de discriminação e de segregação deve ser uma pré-condição para a verdadeira unidade da luta dos explorados, uma unidade que parte do reconhecimento da igualdade como síntese das diferenças, e não da igualdade que pretende anular com o método de Procusto. (Almeida. 2007, p. 98)

 

2. BOM JESUS DO ITABAPOANA UMA HISTÓRIA DE PRECONCEITOS E DESVALORIZAÇÃO DO NEGRO.

2.1 – BOM JESUS DO ITABAPOANA E O RACISMO, UMA ZONA DE DESCONFORTO.

945673_265579153570990_905986204_nDe acordo com o Artigo 5º da Constituição Federal (1988), todos são iguais perante a lei, ou pelo menos deveriam ser. Não simplesmente por uma formulação constitucional, mas sim por questões de direitos humanos e respeito mútuo.

Nesse momento somos levados a problematizar sobre a questão racial. Como diagnosticar um racismo? Diante dessa pergunta desconfortável, certamente iríamos colher comentários dos mais variados desde àqueles que afirmam que o brasileiro é racista até àqueles do contra simpatizantes de Ali Kamel[3], não, não somos racistas.

Uma vez, tecendo uma abordagem desafiadora, somos levados a tentar solucionar uma questão pertinente, que soma a nossa discussão: bom se não somos racistas, de que forma olhamos o outro? Será que realmente olhamos o outro, o diferente como igual?  A busca por responder questões tão delicadas faz com que fujamos da realidade e vivamos numa realidade em que, violências como o racismo, não existam, são meramente fantasias nas cabeças de quem não tem nada para fazer.

A descoberta do racismo em Bom Jesus do Itabapoana eclodiu numa verdadeira zona de desconforto. O ranço do rancor branco manifesta-se de uma forma que tal debate sobre o racismo, atrasa o avanço tanto do progresso quanto humano da cidade. “Esse debate não cabe em discussão em nossa terra”, ressalva alguns indivíduos simpatizantes da democracia racial, já até nos disseram que tal questão negra, não vem ao caso num município do interior.

A verdade a bem saber, é que tal racismo já existia desde quando os primeiros habitantes chegaram e constituíram famílias nessas terras bonjesuenses. Trouxeram seus escravos e com isso, o racismo introjetado da superioridade branca sobre o negro, a cultura da caridade, do favor, da sucumbência servil a que o negro estava fadado eternamente ao homem branco.

Bom Jesus do Itabapoana é um município brasileiro que fica na região nororeste-fluminense do Estado do Rio de Janeiro. A população é de 35, 411[4] habitantes, e tem uma área de 598,824 km², subdividida nos distritos de Bom Jesus do Itabapoana (sede), Calheiros, Carabuçu, Pirapetinga de Bom Jesus, Rosal, Serrinha, Usina Santa Isabel, Usina Santa Maria, Barra do Pirapetinga. Bom Jesus do Itabapoana é rodeado ao norte pelo Rio Itabapoana que delimita a fronteira com o Estado do Espírito santo; a sudeste estão os municípios de Campos dos Goytacazes e Italva; ao sul e sudeste o município de Itaperuna e ao oeste-noroeste o município de Varre-Sai. A economia está voltada para a  agropecuária e setores comerciais e de serviços. Conta com um pequeno parque industrial. (Fonte: FIRJAN)

Bom Jesus do Itabapoana, como qualquer cidade do interior na Brasil, convive com a idéia que seus habitantes vivem em perfeita harmonia racial, portanto não existe segregação espacial e muito menos racial. No entanto o que sempre esteve escondido acaba sendo descoberto. O racismo enrustido do interior acaba por se revelar como sendo o mais cruel dos racismos velado, leva em consideração o passado ruralista da região onde qualquer piada com tons de insultos direcionados a cor da pele, não é caracterizado como ofensa.

‎”Primeiro o ferro marca a violência nas costas. Depois o ferro alisa a vergonha nos cabelos. Na verdade o que se precisa é jogar o ferro fora, É quebrar todos os elos dessa corrente de desesperos.[5]” É de fato perceptível essa colocação acerca da destruição da cultura do outro, percebe-se na condução de seu cotidiano onde é aprisionado, acorrentado ao modo de vida que se mantêm ainda em vigência, o branco. Podemos enquadrar essa ação de destruição da cultura do outro, numa passagem de Carneiro (2005) onde a relação do epistemicidio[6] se encaixa perfeitamente. Nesse ambiente animalizado essa ação destruidora da cultura do outro nada mais é “uma forma de seqüestro da razão em duplo sentido: pela negação da racionalidade do outro ou pela assimilação cultural que em outros casos lhe é imposta” (Carneiro. 2005, p. 97)

2.2 – A DESCOBERTA DO “ELEMENTO” NEGRO NO BAIRRO SANTA TERESINHA.

O município de Bom Jesus do Itabapoana foi elevado a condição de freguesia com o nome de Senhor Bom Jesus do Itabapoana em 14 de novembro de 1862. No brasão do município instituído, junto com a bandeira, na data de 14 agosto de 1965 encontra-se a data de 1842 e 1938. De acordo com TEIXEIRA[7] (2005) as datas representam “1842 – início da povoação, com a primeira denominação de Campos Alegre. – 1938 – restauração do município” (2005, p. 57

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)

A história do negro na sociedade bonjesuense, remota ao século XIX precisamente, a partir de 1863

Os novos donos das terras introduziram o elemento negro. O escravo, com o seu trabalho persistente e barato, representou papel primordial na evolução da agricultura. “Em cartórios de Campos-RJ, encontram-se escrituras várias, a partir de 1863, de compra, venda ou troca de escravos, como simples mercadorias, embora se referindo a pessoas que trabalharam sempre e exclusivamente, pelo engrandecimento local.” (Teixeira. 2005, p. 14)

Em Teixeira (2005), a história do negro como a sua importância para o progresso e desenvolvimento de Bom Jesus é praticamente nulo. Não há registros históricos escritos que descreva a colaboração, participação do negro, muito menos alguma genealogia familiar dos negros escravizados que trabalharam como escravos em Bom Jesus do Itabapoana que possa ser compartilhada.

Os autores destacam somente a genealogia de descendentes de brancos europeus e mais tarde de árabes. Destacamos aqui a venda de um escravo de nome Domingos[8]. Colocamos os seguintes questionamentos: E o escravo Domingos, qual a sua história? Sua genealogia? Sobre o escravo Domingos apenas encontramos uma cópia de um documento[9] de sua venda nos livros que narram à história branca de Bom Jesus do Itabapoana.

Também em seu livro a autora relata a primeira negra escravizada que foi alforriada, “em 15 de abril de 1866, há o registro da primeira carta de liberdade, dada a Faustina Theodoro” (2005, p. 14). Novamente colocamos os seguintes questionamentos: E Faustina Theodoro a primeira negra alforriada de Bom Jesus do Itabapoana, qual a sua história, sua genealogia? Praticamente não existe.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

ALVES, Marcelo Siles. SANTA TERESINHA: DESCOBERTA DE UM CONFLITO RACIAL, DE IDENTIDADE E CULTURAL. Trabalho de Conclusão de Curso do Curso de Serviço Social, Universidade Federal Fluminense-UFF/Campos dos Goytacazes-RJ. 2º semestre de 2012. Ano 2013, pág, Capítulo 1; 20-21: Capítulo 2; 38-42.


[1] Companhia de Habitação Popular do Rio de Janeiro.

[2] Essa parte mais a leste do bairro na parte baixa, faz-se ao encontro de um córrego que corta o bairro, onde são despejados os detritos de esgoto. Também onde ainda se encontram algumas casas populares em seu formato original. Percebe-se, no entanto que, com o passar do tempo, as moradias foram se deteriorando.

[3] Diretor Executivo da emissora Rede Globo que em uma palestra, admitiu que o brasileiro não é racista.

[4] De acordo com o último censo do IBGE de 2010.

[5] Luis Silva Cuti poema O Ferro.

[6] SANTOS, Boaventura de Souza Santos classifica de epistemicídio “a morte de conhecimentos alternativos”.

[7] TEIXEIRA, Ana Maria. História de Bom Jesus do Itabapoana. UFF/Eduff. 3ª edição ampliada. 2005.

[8] A cópia do documento se encontra no livro Bom Jesus do Itabapoana de Francisco Camargo Teixeira 3ª edição ampliada. Páginas 78-79.

[9] Vinde anexo Xerox do documento da venda do escravo domingos